Falar sobre Infância abre um grande universo. Começando pela delimitação de faixa etária que, segundo o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente -, vai de 0 a 12 anos. Uma época cheia de crescimento, aprendizagens e transformações. Meu lado pedagoga não pode deixar de mencionar o fato de que devemos sempre pensar em Infâncias (no plural), pois há muitas maneiras diferentes de se viver esse período conforme as condições sociais, culturais, econômicas, emocionais … de vida desses seres em crescimento.
As crianças são seres sensíveis
Mesmo antes de nascerem, são muito receptivas aos estímulos externos que recebem. Porém, ao nosso redor, as energias são muitas e bastante desorganizadas. Lidar com tudo que a criança percebe do e no mundo, nem sempre é tarefa simples. Dependendo da personalidade de cada uma e do ambiente em que ela vive, haverá manifestações emocionais diferentes e nem sempre equilibradas. Algumas crianças choram por pequenas coisas, outras se descontrolam e usam da sua força física para bater em um colega ou mesmo adulto, algumas têm dificuldade de dormir, outras têm muito medo…
Costumamos pensar nas crianças como ainda tendo poucas experiências na vida e, assim, terem sofrido poucos traumas. Mas isso nem sempre é verdade. Há muitas emoções que ficam fortemente gravadas em nosso corpo mesmo ainda na fase da gestação – uma criança que não é querida, ou cuja mãe sofreu algum trauma enquanto estava grávida, por exemplo. O próprio momento de nascimento, que é uma passagem de um mundo para outro completamente diferente – com sons, cheiros, sabores distintos – pode influenciar, e muito, a nossa jornada na Terra. Qual a forma como se deu esse nascimento – um parto normal? Uma cesariana planejada? Como essa criança é recebida e acolhida? Ela é tocada ou não? É deixada no berço chorando ou é atendida a cada manifestação sem nem sequer esperar um pouco? São inúmeras as possibilidades de percepções que a criança vai tendo logo nessa chegada que, se não for bem cuidada, pode levar a problemas diversos ao longo da vida. Claro que os adultos em volta não podem controlar todas as circunstâncias e emoções a que também são sujeitos nesse momento de recebimento da criança.
Os primeiros anos de vida de um ser humano são de grande aprendizados.
Nascemos completamente dependentes de alguém para nos nutrir de todas as formas. Logo ao nascer, aprendemos a respirar sozinhos. Ao longo do primeiro ano, em um desenvolvimento sadio, aprendemos a sentar, engatinhar, andar. Os dentes nascem e mudamos nossa alimentação. Começamos a emitir os primeiros sons, para além do choro, em uma busca de nos comunicarmos. Mais para frente aprendemos a falar, passamos a nos reconhecer separado de nossa mãe (ou cuidador). Depois vem o controle dos esfíncteres. Cada uma dessas etapas, e muitas outras que não estão mencionadas aqui, apesar de olharmos com naturalidade pois fazem parte do desenvolvimento sadio, são vividas pela criança com bastante intensidade. Há expectativas dos adultos para cada uma das fases e com isso as expressões de alegrias, tristezas, ansiedades e muito mais.
Deixar as crianças se expressarem é um grande desafio para os adultos. Cada uma tem uma maneira particular de ser e nem sempre corresponde àquilo que seus cuidadores (pai, mãe, professores ou outros responsáveis) imaginaram ou gostariam que fosse. Às vezes a criança é muito quieta e exige-se dela que seja mais expansiva. Outras vezes pode ser justamente o contrário – uma criança expansiva, que precisa de muita ação e é exigido dela contenção para se adequar aos espaços que frequenta.
Estamos vivendo um tempo de muito aceleração, muitos estímulos e falta de contato com a natureza e de vivência em família. As crianças também têm sido exigidas nesses aspectos. Infelizmente nem sempre é permitido a elas tempo e espaço para se expressarem livremente através de suas brincadeiras. Muitas vezes, para se adequarem a esse tempo, temos visto, com tristeza, muitas crianças sendo medicalizadas hoje em dia. Só para citar um exemplo, o Brasil é um dos maiores consumidores de Ritalina entre as crianças (medicamento que atua no sistema nervoso central e ajuda a aumentar o nível de concentração).
As crianças, geralmente, respondem rapidamente ao uso dos florais.

Essas flores, tão delicadas quanto esses seres que estão começando sua caminhada na Terra, podem ajudá-las a equilibrar suas emoções, tranquilizando-as, por exemplo, quanto aos medos, o momento de dormir, suas agitações internas, dificuldades com alimentação, momentos de adaptação às novas fases da vida, agressividade ou excessiva passividade, entre tantas outras questões que, assim como nos adultos, afligem também as crianças.