Há um certo tempo, a temática do autismo começou a fazer parte da minha atenção. Apesar de ter trabalhado tantos anos em sala de aula nunca havia atendido uma criança com esse diagnóstico específico, mas sim com outras síndromes. Sempre fiquei incomodada em ver como a escola não está preparada para atender essas crianças. Apesar de muito se falar em inclusão ela ainda é pensada sob a ótica da criança “normal”, ou seja, o conteúdo escolar segue o mesmo e a criança “diferente” deve acompanhar, apesar de a ela ser permitido um outro ritmo ou uma outra resposta. Poucas são as escolas que mudam suas configurações, rotinas, conteúdos, ritmo de trabalho de acordo com cada grupo e considerando cada criança como ser único, com suas características próprias, facilidades e dificuldades específicas. É no coletivo que o grupo se faz – independente, inclusive, de ter ou não uma criança portadora de uma síndrome específica. A dinâmica inteira de uma sala de aula muda conforme os indivíduos que a compõe.
Recentemente comecei a estudar o apoio que a Terapia Floral pode dar para pessoas diagnosticadas como portadoras do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Há alguns meses estou podendo acompanhar de perto as transformações positivas que essa terapia tem proporcionado a um cliente de 15 anos e, consequentemente, à toda a sua família.

O número de crianças diagnosticada como autistas tem crescido a cada ano
Os estudos sobre as causas, bem como as propostas de tratamento vem avançando. Sucintamente, podemos dizer que o TEA é uma síndrome relacionada à formação e funcionamento do cérebro, com diferentes graus, que acomete mais meninos do que meninas e, entre as causas estão fatores genéticos, problemas no parto e fatores ambientais. Traz uma diversidade de comprometimentos, entre os principais está a dificuldade de interação sócio afetiva, problemas de linguagem e comunicação e ações e interesses restritos e repetitivos.
Nas palavras da mãe desse cliente, podemos dizer que:
“O autismo traz uma característica muito comum de “ausência”. Aquela impressão que temos de que a pessoa autista vive “no seu mundinho”, na minha observação é uma falta de presença no corpo, uma inabilidade de estar no momento e não, necessariamente, um tipo de fobia social”
É certo que quanto mais cedo se faz o diagnóstico melhor são os prognósticos, pois mais rapidamente se faz intervenções e estimulações importantes. Por outro lado, ao ser diagnosticado, não raro, esse Ser perde a sua condição de sujeito e vira um objeto a ser tratado, muitas vezes deixa-se de olhar para o seu potencial específico e passa-se a esperar dele respostas que correspondem àquele diagnóstico. Além disso, tem sido muito comum o diagnóstico vir atrelado a medicalização, mesmo antes de outras possibilidades de intervenções (estímulos corporais, ambientais, entre outros).
Quando fui procurada pela mãe desse meu cliente, além dela contar toda a história da gravidez, parto, primeiros momentos de vida, toda a trajetória de tratamentos (que são vários), ela relatou o momento em que tiveram de ir buscar medicalização para conter as crises de agressividade que ele vinha tendo. O relato é de que “foi horroroso, ele ficou endurecido, invisível, o olhar fixo pro nada, parecia que estava pedindo para parar.” A família, então, resolveu parar com o medicamento e procurar ajuda nas Terapias Complementares Integrativas[1].
A terapia floral olha para cada pessoa como um ser único, independente dela ser portadora de uma síndrome ou não, ou de estar passando por uma doença específica. O terapeuta olha para o Sujeito, com sua história particular de vida, a forma como reage emocionalmente às diferentes situações, e vai buscar nas flores aquelas que ajudarão o cliente a desenvolver as qualidades necessárias para as mudanças que está buscando, para que viva de forma mais tranquila e harmônica “abrindo aqueles canais que lhe permitirão uma comunicação maior entre Alma e corpo.” (E Bach in A Terapia Floral, escritos selecionados, São Paulo: Ed. Ground, 1991, p. 58)

Estimulada e confiante pelo curso que eu havia feito com uma terapeuta muito experiente nessa temática (Rosana Souto), propus uma fórmula para começarmos a trabalhar com a desintoxicação[2], fortalecimento e presença do corpo físico; a harmonização/cicatrização no nível de Alma dos muitos traumas que ele havia passado desde o início da vida; o favorecimento da comunicação; e florais para proteção (esses são seres muito sensíveis às influencias do ambiente, por isso precisam de muita proteção). O retorno foi muito rápido e positivo – em apenas cinco dias a família já começou a notar diferença. Ele ficou mais atento, fisicamente relaxado, mais comunicativo, “olhando mais nos olhos e com olhar tranquilo e feliz”, além de emitir mais sons. Entre três e quatro semanas ele “começou a fazer mais esforço para deixar claro o que quer fazer (pequenas coisas, como beber uma água) e estava mais atento e atendendo melhor aos pedidos.”
O processo estava caminhando bem quando, mais ou menos dois meses depois, ele comeu algo que lhe fez mal e entrou em crise – perdeu contato visual, mostrou-se mais irritado, nervoso e agressivo, gritando muito. A mãe, ao entrar em contato comigo, mostrou-se um pouco apreensiva pois, das outras vezes em que ele teve crise, ao final, sempre apareceu “algo novo e estranho” no comportamento. Entramos imediatamente com uma fórmula emergencial – Yarrow (Califórnia) para proteção, Grevilea (FSG) e Cherry Plum (Bach) para controlar a irritação, Agrimony (Bach) e Ameixa (FSG) para desintoxicação e Rescue com a Fórmula Emergencial de Saint Germain. Três dias depois, ele acordou de bom humor, a crise tinha passado, o olhar era outro, intestino estava bom e nenhum “comportamento estranho” havia aparecido no lugar. Continuamos o tratamento com uma nova fórmula.
Florais como apoio à família de portadores de Autismo
A família cujo filho tem essa ou outra síndrome é muito exigida em diferentes aspectos: social, emocional, financeiro… São muitos os tratamentos e profissionais a quem eles têm que recorrer. Assim, a ajuda das Essências Florais são excelentes para o restabelecimento do equilíbrio emocional. Assim, confiante com as respostas, a mãe resolveu fazer uso das essências florais para ela, como apoio para o seu equilíbrio emocional e o pai também demonstrou interesse em começar essa terapia. Recentemente enviou mensagem muito feliz e grata com as recentes conquistas e descobertas do filho.
Compartilho aqui dessa alegria e gratidão pelas conquistas desse cliente, pelas descobertas do Dr. Bach e todos os sintonizadores de florais que o tem sucedido, por poder fazer a ponte e acompanhar o desabrochar e florescer de clientes e amigos.
“Essa descoberta da presença de espírito, a conexão entre o corpo e alma, é uma coisa muito visível nesse tratamento.” (mãe)
[1] As Terapias Complementares Integrativas são um conjunto de práticas terapêuticas que visam estimular mecanismos naturais de prevenção da doença e promoção da saúde. Hoje várias delas são reconhecidas e aplicadas pelo SUS. Entre elas, temos a Aromaterapia e a Terapia floral, usadas por esse cliente. Também tem sido usada, para ele, a Calatonia e os toques sutis, que apesar de não estarem no rol das PICs no SUS, em certa medida também pode ser considerada como tal.
[2] Um dos motivos que tem se levantado para o aumento de pessoas do espectro autista é o intenso uso de agrotóxicos e poluentes do ar, por isso o aspecto da desintoxicação se faz importante. Além disso, a mãe desse cliente trouxe como observação o fato de alguns alimentos, quando ingeridos por ele, interferirem diretamente no seu comportamento.