O ano de 2020 trouxe muitas surpresas na vida de todos nós. Um período inédito na história! Um ser invisível aos nossos olhos e tão frágil que morre ao contato com água e sabão, transformou drasticamente nossas vidas; fez com que nos recolhêssemos dentro de casa (aqueles que puderam), nos trouxe medos, inseguranças, incertezas. Houve um acirramento dos conflitos e desigualdades sócio-econômica-culturais. Passamos a nos relacionar com o mundo através do virtual, nos conectando com pessoas de forma online, com um novo jeito de trabalhar, estudar, conhecer pessoas, se relacionar.

O luto se fez presente – vivemos em um país onde rapidamente o número de mortes pela Covid 19 foi muito alto e ainda continua crescendo de forma acelerada. Muitos perderam pessoas queridas. Também tivemos que lidar com diversas outras perdas – convivência social, empregos, salários, restrição espacial, projetos não realizados…
Tudo isso tem trazido muitos impactos nas nossas vidas diárias. Algumas marcas ficarão profundas em nossas memórias e corpos.
Tem havido coisas boas também, mas nem sempre conseguimos nos conectar a elas diante de tantas adversidades.
É um tempo que vem exigindo de todos nós muita resistência, resiliência, solidariedade, adaptabilidade e, acima de tudo, esperança.
Cada pessoa tem vivido de uma forma, mas podemos notar diferenças e semelhanças entre grupos sócio-econômicos e também entre gerações. De modo geral temos os idosos sofrendo por não verem seus netos, por serem um grupo de alto risco, por ficarem ainda mais recolhidos em casa. Muitos adultos que perderam seus trabalhos, outros transformaram suas casas em escritórios, outros se arriscam todos os dias para trabalharem em serviços essenciais, se expondo (e aos seus familiares) ao risco diário. Os jovens que, entre outras coisas, estão privados de seus relacionamentos sociais e seus sonhos tão fundamentais de início de vida adulta.
E as crianças? Como elas estão diante desse recolhimento? Quais os traumas que têm sofrido?
Como estão sem o convívio com seus pares? Como estão na restrição de seus corpos, de seus movimentos? Como estão na convivência intensa com adultos e com seus pais? Em uma casa que (para um certo grupo) virou casa, escritório, escola? E as crianças que não tiveram essa chance? Que presenciaram a violência em casa? Que viram seus pais saírem para trabalhar em um momento tão assustador? Como elas estão (ou não) diante das aulas a distância (online, apostila)? São muitas as possibilidades de situações, de emoções e reações que cada criança, individualmente, está vivendo nesse momento. São experiências, aprendizados e marcas que vão carregar para a vida toda. Será que estamos sabendo ouví-las e acolhê-las?

É pensando nessa situação que estou convidando mães, pais e interessados, a um momento de reflexão e partilha. Um encontro regado de flores, onde falarei da terapia floral como uma possibilidade de apoio para trazer de volta nossa esperança, coragem, alegria. Um estado de harmonia! As crianças ainda têm uma longa jornada pela frente, quanto antes puderem elaborar esse impacto melhor viverão.
Como Dr. Bach – criador dessa terapia – nos diz em seu livro Os Doze Curadores:
Este sistema de cura, que nos foi Divinamente revelado, mostra que são nossos medos, nossas preocupações e ansiedades que abrem o caminho para a invasão da doença.
Assim, ao tratarmos nossos medos, nossas inquietações, nossas preocupações etc, não apenas nos libertamos de nossas doenças, mas também nos tornamos mais felizes e melhores, pois as ervas que nos foram dadas pela Graça do Criador afastam os medos e as preocupações.
A criança é um ser sensível, muito facilmente absorve a energia à sua volta, por isso precisa de muita proteção. É também um ser de renovação, alegria, utopia. Ela nos traz esperança, nos instiga a transformação. Ela é hoje, mas é também um convite para o amanhã!